Nos dias atuais há uma constante preocupação com a privacidade dos usuários na rede, em contrapartida, as empresas e também Governos estão inovando cada vez mais nas formas de rastrear seus usuários na internet, Google, Facebook, Microsoft, entre outros, estão entre as mais bem sucedidas, oferecendo “serviços gratuitos” estas empresas conseguem saber basicamente tudo sobre os seus usuários, isso significa que podem vender praticamente qualquer coisa para os mesmos, já no caso dos Governos, podem fazer, quase que literalmente, uma sabatina na vida dos seus cidadãos e na dos cidadãos de outros países também, a exemplo de um certo governo aí, que não quero citar nomes.

O Estado e os grandes impérios da informação fuçando nos seus dados pessoais

O pior de tudo isso é que estas empresas não usam apenas os métodos convencionais para adquirir dados sobre seus usuários, existe uma crescente paranóia entre pesquisadores e até mesmos usuários comuns, sobre os meios utilizados pelas “gigantes” da internet para rastrear dados, costumes e formas de comportamento de seus usuários, tudo isto a fim de vender mais anúncios.

Um dos maiores perigos disso, é a quebra de privacidade dos usuários na rede, o Facebook por exemplo, mapeia todos os seus hábitos, sua lista de amigos, descobre o que você e o que eles gostam, tem IAs para analisar tudo o que você fala com seus amigos pelo Messenger e Whatsapp. Além é claro, das permissões mega intrusivas dos aplicativos para smartphones, em certos aparelhos o app do Facebook pede acesso até para operar o driver NFC. Uma invasão total da privacidade dos usuários, isso comprova o velho ditado — Quando você não paga pelo produto, você é o produto.

Em casos recentes, Google e Facebok foram acusados de utilizar o microfone dos usuários para coletar dados que posteriormente seriam utilizados na venda de anúncios, o problema disso é que tudo isso era ilegal e sem o consentimento dos mesmos, ou seja, não é apenas invasivo, é desonesto e desleal.

Os usuários do Facebook, por exemplo, dão todas as informações de forma gratuita para que eles possam vender aos seus clientes, em forma de publicidade, Google lê seus e-mails, dados de aplicativos utilizados no android, mapeia os lugares para onde você vai, coletando dados precisos de GPS e das suas redes, a Microsoft usa a cortana para te auxiliar na coleta de informações, o Windows 10 virou um autêntico espião, melhor que James Bond em 007.

Não se preocupe, ainda piora

Mas o problema não para por aí, além das gigantes do vale do silício dominarem praticamente toda a internet, o passado recente nos mostrou que além delas venderem seus dados para outras empresas o governo está a um passo de ter acesso a toda sua vida no mundo virtual.

Sob o princípio da “Segurança Nacional” o governo dos Estados Unidos, mas não apenas ele, tem encontrado maneiras de coletar e monitorar todas as informações que trafegam nos servidores de empresas americanas, isso quer dizer que praticamente 80% de todas as grandes empresas, provedores de internet e até redes móveis são alvos fáceis para as garras do Estado, aí é que está o maior problema, o Estado é gerido por políticos e nós sabemos o que acontece quando políticos tem esse tipo de poder em suas mãos.

A Lei nem sempre funciona como deveria

Privacidade na Rede, você quase não tem.

Recentemente, investigadores do FBI têm tocado na tecla de que a Criptografia está ajudando criminosos, e que é necessário criar uma espécie de criptografia que seja segura, porém nem tanto, para que o Estado possa perseguir “apenas os bandidos.”

— Edward Snowden e Julian Assange que o digam!

Aqui no Brasil, o professor Diego F. Aranha, Professor da Unicamp e que recentemente fez duras críticas a forma fajuta como o TSE trata a “segurança” das Urnas eletrônicas, tem defendido este tópico em eventos públicos, no Mind The Sec SP 2017, em sua palestra Deixem a Criptografia em Paz, tocou no assunto e inclusive citou as situações onde agentes do Estado defendem que a criptografia seja banida de forma parcial, para que o Estado possa fazer o seu dever. — Que ele já não faz, de qualquer forma, a menos que haja interesse político no caso em questão.

As pessoas hoje em dia, ainda sem ciência em relação à forma como as suas informações disponíveis na rede podem ser prejudiciais em determinadas situações, a engenharia social tem se tornado um dos métodos preferidos dos ciber criminosos para levantar informações sensíveis sobre suas vítimas e cometer crimes como, estelionato e falsidade ideológica.

Em resumo, a maior preocupação que você deve ter hoje, em relação a coleta não autorizada de informações sensíveis, é que você não tem mais o controle sobre estas informações, qualquer um que esteja associado a estas grandes empresas, e até mesmo o Estado, podem acessar seus dados a qualquer momento e sem o seu consentimento, sem um aviso legal ou qualquer outra forma da Lei.

NSA e a vigilância dos usuários na rede

Em outras palavras, se o Estado (Leia-se um Agente do Estado) tiver algo contra você, ele vai encontrar informações, que podem ser interpretadas como evidência de crime, por exemplo, em uma situação fora de contexto, algo que pode se traduzir em: Você está encrencado!

Da mesma forma que a privacidade serve para “ocultar” coisas ruins, serve para ocultar coisas boas, na minha humilde opinião, não devemos jamais abrir mão de um direito fundamental como a privacidade apenas pelo singelo pretexto de receber segurança pública, principalmente quando vocẽ não é o agente que fará a sua própria segurança.

A propósito, apenas por suas fotos em redes sociais, é muito provável que um ou mais governos já tenham seu mapa de reconhecimento facial em uma base de dados, apenas aguardando um momento oportuno para ser usado.

Deixem a criptografia em Paz

Acompanhe abaixo a palestra do Professor Diego F. Aranha e reflita sobre os argumentos defendidos por ele para que você não deixe jamais que Empresas ou Governos tenham acesso ilimitado à sua privacidade.